2 de mai de 2012

A primeira prova


Eu trabalhava, em 2003, numa empresa de telefonia há 1 ano. Papo vai, papo vem... Nos cafezinhos, o pessoal acabou sabendo que eu corria. Quer dizer, eu achava que corria!
         Ia ter uma prova de 40Km de revezamento e o pessoal da empresa acabou me convidando para correr um dos trechos de 5Km.
         No momento do convite fiquei radiante, afinal, iria entrar num seleto grupo de pessoas chamadas de atletas. Algo que não imaginava mais que pudesse acontecer comigo.
Intensifiquei meus treinamentos para garantir que conseguiria cumprir a minha missão com um mínimo de dignidade.
Foram 3 semanas intensas! Chegava em casa após o trabalho, pulava dentro do tênis, e, delirantemente, percorria os 5Km de treino.
Combinamos em casa que todos nós iríamos desfrutar de um domingo em família no Aterro do Flamengo, independente do resultado de minha performance.
No sábado antes da prova, me sentia um verdadeiro corredor às vésperas da prova de sua vida. Escolhi cuidadosamente a meia e o calção, pois a camiseta seria a da equipe, e o tênis .... só tinha um mesmo, não precisava me preocupar.
Todos acordamos cedo. Minha ansiedade era tanta, que eu já estava acordado desde as 5hs. Saímos de casa e chegamos com mais de 45 minutos para o inicio da prova.
O capitão da equipe veio e me deu o número. Eu seria o 3º trecho.
Me preparei mentalmente e me despedi de minha esposa como se estivesse embarcando para o front. Nesta época, nem imaginava que precisava me aquecer.
Posicionado no box da equipe, muitas coisas passavam na minha cabeça: a volta por cima do fumo, as corridas despretensiosas pela praia, a minha ansiedade por largar, até que...
- Vai, Valmoré, pega a braçadeira!
Lá fui eu, meio acanhado, achando que todos me passavam, mas na verdade muito feliz com o que estava fazendo.
A chegada foi vibrante. Vi meu colega de equipe ao longe e apertei ainda mais o passo. Missão cumprida!
A sensação que tive ao me sentar com minha família, naquela manhã de domingo de sol, foi maravilhosa. Todos nós ríamos e eu não parava de contar como havia sido cada Km e como havia me sentido bem durante a prova.
Hoje, ainda tenho o privilégio de, em muitas provas desfrutar da minha família ao meu lado, afinal, elas são as minhas grandes torcedoras e responsáveis pelas minhas mudanças de hábito.
Agora me sinto corredor. Agora SOU corredor.

Abraços

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